Dois idiotas em apuros

Em 2009, eu e meu amigo Sid tínhamos um passatempo que praticávamos quase que todos os dias depois da aula. Lembrando que nessa época nós só queríamos saber de Guitar Hero, Coca-Cola e beijar garotas na boca, então era um hobby tão retardado quanto as mentes que os criaram. Era o seguinte: depois da aula, pegávamos um ônibus pro shopping Iguatemi (antes de ser Pátio Belém) e sentávamos exatamente no centro da praça de alimentação. Então nós sacávamos o celular do Sid e olhávamos a lista de pessoas com o Bluetooth ligado ao nosso redor. Daí era só escolher uma vítima e… mandar a imagem do Link rindo.

18qg4nx5anhnrjpg

Não só isso, mas também alguns memes da época, desenhos de piroca e às vezes até fotos nossas fazendo careta ou mandando um joinha. A graça era escolher alguém aleatoriamente, depois olhar ao redor pra tentar achar aquela pessoa a tempo de acompanhar a reação assim que ela recebesse o arquivo. Isso foi, claro, antes do celular do Sid ser tragicamente ceifado pelo Jorge naquele assalto maluco no mesmo ano. Que descanse em paz, Sony Ericsson CyberShot C905.

Uma vez tinha esse cara que usava o nome completo no Bluetooth. Enviamos solicitação pra parear os dispositivos, ele aceitou. Nisso localizamos ele: sentado a alguns metros da gente, usava camisa social pra dentro, bermuda, meia cobrindo toda canela, almoçando sozinho uma porção de salada. Era uma cena bem triste de ver. Então nós mandamos o SEU CU NAO SERA PERDOADO.jpg, clássico, e observamos. Ele pegou o celular, abriu o arquivo e…

Continue lendo

3 picaretas desmascarados por James Randi

randi

Sob essa volumosa barba branca encontra-se James Randi, facilmente um dos caras mais incríveis ainda vivos. Acredito que o mundo seria um lugar um pouco melhor se todos estivessem familiarizados com a vida e o trabalho do cara, com pessoas sendo um pouco mais céticas em relação a médiuns, paranormais, curandeiros e astrólogos.

James Randi começou a carreira como mágico escapista nos anos 40, ganhando a alcunha de “Incrível Randi”, com feitos que incluem escapar de uma camisa de força pendurado de cabeça pra baixo sobre as Cataratas de Niágara — bom, quem nunca, né.

Continue lendo

Pablo

A criminalidade toma conta da cidade, a sociedade põe a culpa nas autoridades e eu não acredito que acabei de abrir um post com uma letra do Gabriel O Pensador.

A violência aqui em Belém tem crescido em uma velocidade absurda. Se em 1997 o número de homicídios registrados foi de 362, em 2007 esse número subiu pra 803, um índice de crescimento de 121,8% em 10 anos segundo dados da matéria de onde eu tô copiando isso aqui. Com esses números, Belém é a nona cidade mais violenta do Brasil e a décima oitava do mundo — e se aqui a situação já anda feia assim aqui, imagino que João Pessoa (sexta colocada) já deve estar uma espécie de Mad Max pré-apocalíptico.

Eu já fui vítima dessa violência. Cinco vezes, pra ser mais exato.

A maioria deles foram assaltos normais, o típico acordo firmado entre dois cavalheiros com interesses em comum: “eu quero seu celular, você não quer levar um tiro na cara.” Parece justo o suficiente.

Mas um deles foi disparado o mais bizarro de todos. Foi mais ou menos assim:

Continue lendo

Re-pilot

Douglas Adams dizia sobre escrever:

Escrever é fácil. Tudo o que você tem a fazer é ficar olhando fixamente para uma folha em branco até a sua testa começar a sangrar.

Vocês vêem, escrever não é como andar de bicicleta — se você passa um tempo sem escrever, você perde o jeito. Escrever seria algo mais como… sexo. Isso mesmo, sexo. Se você pratica com regularidade, mantém um ritmo e só tende a melhorar com o tempo. Mas se você simplesmente para e passa um bom tempo sem, chega um ponto em que você perde completamente a manha. Até que chega o dia em que decide dar um basta e finalmente sair dessa seca lazarenta: começa a rolar aquele climão maneiro, a coisa começa a ficar física, as taças de vinho são deixadas de lado, entra um jazz suave, a câmera se move lentamente em direção à lareira, e aí…

Continue lendo

Até mais, e obrigado pelos peixes

O amadurecimento de uma pessoa pode ser caracterizado em três fases: a fase em que você não sabe (“o que é isso?”), a fase em que você ACHA que sabe (“eu sei exatamente o que é isso e odeio”) e a fase em que você amadurece o suficiente pra rever todos os seus conceitos estabelecidos na fase anterior (“ok, TALVEZ eu realmente não soubesse tanto quanto eu julgava saber antigamente, mas, porra, eu tinha 15 anos, só me vestia de preto e achava que AC/DC era a melhor banda do mundo”).

Continue lendo

A saga do rapaz que só queria trocar a tela do iPad quebrado mas não tinha dinheiro pra comprar um Crokíssimo no bombonzeiro da calçada em frente à iStore

Já faz algumas semanas que o meu querido iPad quebrou a tela, e apesar de cada rachadura ser como uma fissura na minha própria alma, tenho sido forçado a aprender a conviver com elas, já que a troca da tela de vidro aqui em Belém do Pariu andava na casa dos 400 contos de réis da última vez que chequei. Quantia esta que eu, como jovem estudante de uma universidade federal recém-desempregado – ou seja, um fodido -, não disponho e nem tenho previsão de dispor tão cedo dentro da minha carteira.

E meu iPad, desde que o comprei, tem sido minha ferramenta indispensável não só de diversão, mas também de estudo e trabalho. É mais uma das coisas que pode ser facilmente acrescentada na lista de Coisas que você não sabia que precisava até serem inventadas, como a penicilina, a vacina e o papel higiênico.

Continue lendo

As meninas do Leblon não olham mais pra mim

No começo do ano, depois de confirmar minhas suspeitas de que o meu grau de miopia tinha aumentado, decidi voltar a usar óculos. Viver com miopia, mesmo que pouquinha como é o meu caso, é um saco principalmente em duas situações: a) quando você quer ver um filme, mas tem que ficar apertando os olhos até encontrar um ponto em que as legendas fiquem com o mínimo de foco necessário para serem lidas; b) você tá numa parada escura à noite e tem que ficar apertando os seus olhinhos pra enxergar o nome do ônibus que tá vindo pra saber se é o seu, mas quando finalmente consegue enxergar já é tarde demais porque ele já tá quase em cima de você e aí você tem que sair correndo atrás dele porque ele parou (QUANDO para) a 5 metros de distância de você, mas aí você tropeça e numa poça de água imunda e cai. Ei, isso é mais frequente do que vocês imaginam!

Continue lendo